segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Mate



Perfuntório amor, cor mate
Ardente o coração escarlate
Em inexpugnável combate
Morre, pois já não bate.

AMF


domingo, 30 de dezembro de 2007

Desde que te vi ...



Desde que te vi,
Cego julgo estar,
Só a ti vejo,
Olhe para onde olhar.

Com a tua imagem
Sonho em pleno dia,
E por uma noite contigo
A minha vida daria.

Sem ti tudo é
Sem luz e sem cor,
Já nada me apetece
E tudo me causa dor.

Agora só quero
Num canto chorar,
Desde que te vi
Cego julgo estar.

Adelbert Von Chamisso
(com alterações)

sábado, 29 de dezembro de 2007

Goldenhair




Lean out of the window,
   Goldenhair,
I heard you singing
   A merry air.

My book is closed,
   I read no more,
Watching the fire dance 
   On the floor.

I have left my book:
   I have left my room:
For I heard you singing
   Through the gloom,

Singing and singing
   A merry air.
Lean out of the window,
   Goldenhair.

James Joyce - Chamber Music V


 
Cabelo d'ouro


Debrucei-me na janela,
   Cabelod'ouro,
Ouvi-te cantando
   Uma alegre melodia.

Meu livro está fechado,
   Não leio mais,
Vendo o fogo dançar
   No chão.

Deixei meu livro,
   Deixei meu quarto,
Pois ouvi-te cantar
   Através das sombras.

Cantando e cantando
   Uma alegre melodia.
Debrucei-me na janela,
   Cabelod'ouro.
 


sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Tristesses De La Lune



Ce soir, la lune rêve avec plus de paresse;
Ainsi qu'une beauté, sur de nombreux coussins,
Qui d'une main distraite et légère caresse
Avant de s'endormir le contour de ses seins,

Sur le dos satiné des molles avalanches,
Mourante, elle se livre aux longues pâmoisons,
Et promène ses yeux sur les visions blanches
Qui montent dans l'azur comme des floraisons.

Quand parfois sur ce globe, en sa langueur oisive,
Elle laisse filer une larme furtive,
Un poète pieux, ennemi du sommeil,

Dans le creux de sa main prend cette larme pâle,
Aux reflets irisés comme un fragment d'opale,
Et la met dans son coeur loin des yeux du soleil.

Baudelaire



Tristezas Da Lua

Com que perguiça a lua esta noite divaga;
Como bela mulher que, encostada aos coxins,
Antes de adormecer suavemente afaga
O contorno dos seios com a mão distraída,

Sobre o fofo cetim das moles avalanches,
Moribunda, ela entrega-se a longas dolências
E faz voar os olhos sobre visões brancas
Que sobem na atmosfera como florescências.

Se às vezes nesse globo, num langor ocioso,
Ela deixa escapar um furtiva lágrima,
Inimigo do sono, um poeta piedoso

Guarda logo esse pingo na cova da mão
E à gota irisada, fragmento de opala,
Longe do olhar do sol, põe-na no coração.